Significado de
Indelével
adj. Que não pode ser apagado: tinta
indelével.
Que não se pode extinguir ou destruir; indestrutível.
Figurado. Que o tempo não corrói; permanente: recordação indelével.
pl. indeléveis.
(Etm. do latim: indelebilis.e)
indelével. In: Wikcionário,
o dicionário livre [Em linha]. Flórida: Wikimedia Foundation, 2016, rev. 29
Agosto 2015. [Consult. 5 jan. 2016]. Disponível em WWW:<https://pt.wiktionary.org/w/index.php?title=indel%C3%A9vel&oldid=1990193>.
Indelével é a
memória no tempo, da escrita e do desenho, efectuados de forma compulsiva,
automática, irracional, com uma constância activa com raras intermitências, que
só parou pela exaustão, para de novo voltar e sobre a qual não temos qualquer
domínio da vontade. Foram semanas e semanas sem abrandamento, nem um real valor
humano que pelo menos, tirasse dali o papel, ou partisse o lápis ou a malvada
da caneta. Não, o ambiente climatérico estava péssimo, induzia ao isolamento no
interior da morada, chovia diariamente, constantemente, e havia uma estranha
humidade no ar que nos fazia doer os ossos o que durou mais de um mês. Nada aparentava que, de repente, no fundo
daquele covil, se desse uma tão inesperada mudança de atitude. Sem aviso
prévio, nem telegrama pontual ou telefonema eventual, o Sol despontou por
detrás das nuvens e algo se transformou. Ela voltou de repente. Era sazonal. Tinha
chegado uns dias mais cedo, disse; querida Prima e a sua maior “amiga”, a Vera.
Foram num sonho de abstracções duas aparições reais. Sobre as quais resolvi
manter um discreto silêncio perante a aldeia. Como ainda ninguém tinha avistado
uma andorinha, verdade foi que duvidaram que a Prima e a Vera tivessem
chegado.… … Não foi um Verão qualquer, nem parecido a muitos outros… A alegria
esteve sempre entre os presentes, desde os adultos, tios, avós, aos minúsculos,
coelhos, cães, gatos, era contagiante a festividade., inclusive sobre um certo
ambiente familiar, mais matriarcal, muito
psicossomático-religioso-hipocondríaco-e-devasta-auto-estimas.
O que continuava
sempre a acontecer era o rio a secar no Verão e as pedras frias a aquecerem no
fogo das salamandras para depois aquecerem os lençóis das camas... fazia
frio...
EM CONTÍNUO… !!!
E recordo-me bem, de todos
os anos elas nos trazerem a alegre certeza de que as estações do ano, e a sua
alegre memória se processavam tal e qual como nos tinham ensinado nas aulas de
Estudos do Meio Ambiente... e o mais adequado era acender lareiras às memórias
de outros tempos em que quando chovia, a terra molhada cheirava bem, enquanto
comíamos as uvas das videiras e as maçãs das macieiras...
Devia ser essa, a tal, a antifonal
metalinguagem musical que nos faz perder os sentidos
em espasmos sonoros de prazer aveludado, dedos famintos, doridos, sobre teclas obscenas,
carentes, exigentes e insaciáveis... As noites foram claras. E tantas, que a
vista chegava a faltar só de tanto querer ler o livro em Branco, o do vadio.
Só esse livro é que contém
as nossas memórias indizíveis. E de tal maneira é Branco que nunca as
conseguimos ler ou ver convenientemente.
E se assim é? Como podem
então ser memórias? Serão recordações? Acho que também não são! Afinal nem
marcas lá deixámos ficar!
Também não somos o vento
passado nem somos o tempo esquecido.
Somos o quê então?
E então? se nem sabemos o
que somos? para quê recordar? recordar o quê?
E se o tempo nos enche a
alma de pressa para não termos tempo de viver com tempo então também não nos
deixa ter tempo para saber em que tempo é que devemos morrer…O que é que resta?
Experimenta encher-te de
vazio; se não existir espaço suficiente, deixa morrer a noite e o dia pois são
eles os que mais nos consomem. Vão
ficar assim cadáveres regulares, uniformes e em sossego, durante bastante
tempo, (penso eu).
E nós, como bichos disformes,
caberemos todos na mesma circunstância cristalina do paraíso.
Mas como o universo é
incansável e teimoso, verás que vai voltar a repetir o ciclo, só por repetir,
desde o início até ao infinito minuto de todo o nosso penar.
Vai Acordar a Lua, vai
adormecer o Sol…
E a nós? Só nos resta
continuar a envelhecer, esse é o nosso inevitável prazer partilhado com o destino,
que o tempo não poderá nunca roubar!
PS: não me recordo de nada
tão mesquinho ou auto-comiserante como perder «tempo» a redigir memórias que só
o tempo tem…
São só espasmos sombrios,
são só espasmos indeléveis.
Indelével é a
memória no tempo, da escrita e do desenho, efectuados de forma compulsiva,
automática, irracional, com uma constância activa com raras intermitências, que
só parou pela exaustão, para de novo voltar e sobre a qual não temos qualquer
domínio da vontade. Foram semanas e semanas sem abrandamento, nem um real valor
humano que pelo menos, tirasse dali o papel, ou partisse o lápis ou a malvada
da caneta. Não, o ambiente climatérico estava péssimo, induzia ao isolamento no
interior da morada, chovia diariamente, constantemente, e havia uma estranha
humidade no ar que nos fazia doer os ossos o que durou mais de um mês. Nada aparentava que, de repente, no fundo
daquele covil, se desse uma tão inesperada mudança de atitude. Sem aviso
prévio, nem telegrama pontual ou telefonema eventual, o Sol despontou por
detrás das nuvens e algo se transformou. Ela voltou de repente. Era sazonal. Tinha
chegado uns dias mais cedo, disse; querida Prima e a sua maior “amiga”, a Vera.
Foram num sonho de abstracções duas aparições reais. Sobre as quais resolvi
manter um discreto silêncio perante a aldeia. Como ainda ninguém tinha avistado
uma andorinha, verdade foi que duvidaram que a Prima e a Vera tivessem
chegado.… … Não foi um Verão qualquer, nem parecido a muitos outros… A alegria
esteve sempre entre os presentes, desde os adultos, tios, avós, aos minúsculos,
coelhos, cães, gatos, era contagiante a festividade., inclusive sobre um certo
ambiente familiar, mais matriarcal, muito
psicossomático-religioso-hipocondríaco-e-devasta-auto-estimas.
O que continuava
sempre a acontecer era o rio a secar no Verão e as pedras frias a aquecerem no
fogo das salamandras para depois aquecerem os lençóis das camas... fazia
frio...
EM CONTÍNUO… !!!
E recordo-me bem, de todos
os anos elas nos trazerem a alegre certeza de que as estações do ano, e a sua
alegre memória se processavam tal e qual como nos tinham ensinado nas aulas de
Estudos do Meio Ambiente... e o mais adequado era acender lareiras às memórias
de outros tempos em que quando chovia, a terra molhada cheirava bem, enquanto
comíamos as uvas das videiras e as maçãs das macieiras...
Devia ser essa, a tal, a antifonal
metalinguagem musical que nos faz perder os sentidos
em espasmos sonoros de prazer aveludado, dedos famintos, doridos, sobre teclas obscenas,
carentes, exigentes e insaciáveis... As noites foram claras. E tantas, que a
vista chegava a faltar só de tanto querer ler o livro em Branco, o do vadio.
Só esse livro é que contém
as nossas memórias indizíveis. E de tal maneira é Branco que nunca as
conseguimos ler ou ver convenientemente.
E se assim é? Como podem
então ser memórias? Serão recordações? Acho que também não são! Afinal nem
marcas lá deixámos ficar!
Também não somos o vento
passado nem somos o tempo esquecido.
Somos o quê então?
E então? se nem sabemos o
que somos? para quê recordar? recordar o quê?
E se o tempo nos enche a
alma de pressa para não termos tempo de viver com tempo então também não nos
deixa ter tempo para saber em que tempo é que devemos morrer…O que é que resta?
Experimenta encher-te de
vazio; se não existir espaço suficiente, deixa morrer a noite e o dia pois são
eles os que mais nos consomem. Vão
ficar assim cadáveres regulares, uniformes e em sossego, durante bastante
tempo, (penso eu).
E nós, como bichos disformes,
caberemos todos na mesma circunstância cristalina do paraíso.
Mas como o universo é
incansável e teimoso, verás que vai voltar a repetir o ciclo, só por repetir,
desde o início até ao infinito minuto de todo o nosso penar.
Vai Acordar a Lua, vai
adormecer o Sol…
E a nós? Só nos resta
continuar a envelhecer, esse é o nosso inevitável prazer partilhado com o destino,
que o tempo não poderá nunca roubar!
PS: não me recordo de nada
tão mesquinho ou auto-comiserante como perder «tempo» a redigir memórias que só
o tempo tem…
São só espasmos sombrios,
são só espasmos indeléveis.