A moda uniformiza necessidades, simultaneamente cria diferenças e separações, a moda de hoje, é diferente á de ontem, e á de amanhã. Os ciclos criam as modas, e por sua vez as classes criam os ciclos. O que é usado pelas classes altas, rapidamente cria a necessidade, nas classes mais baixas de usar também, assim que se dá a apropriação desses objectos, as classes altas abandonam-nos e criam uma nova moda.
No entanto, as jardineiras foram um item de vestuário que não iniciou o seu ciclo nas classes altas, foi exactamente o oposto. As jardineiras surgiram no meio operário, foram inicialmente usadas no início do século XX como roupa de protecção para mecânicos nos EUA. Com a primeira guerra mundial, as vestes foram radicalmente racionalizadas, adotando soluções mais funcionais. O papel da mulher teve também grandes mudanças, com a guerra, o trabalho feminino tornou-se necessário. Usar saias em fábricas não teria sido muito prático, assim as mulheres adotaram, tal como os homens, a jardineira. Mais tarde, pelo seu caracter prático e confortável começaram a ser usadas na roupa infantil. Só nos anos 60 se tornou um ícone de moda, sendo visto como um item causal, descontraído e confortável. Nos anos 70 as jardineiras tornaram-se um item que todos os jovens tinham no armário, reinterpretadas, existiam modelos com os mais diversos tecidos e formas.
Hoje deparamo-nos com um revivalismo dos anos 70:
“As jardineiras podem ser um “must-have” desta estação, em ganga, renda, ou tecido, tornam-se na peça chave para um look prático e fashion.”
“É uma peça que funciona e que se adapta aos mais diversos estilos dependendo de como as conjugamos. Podem ser usadas ao final do dia para uma ocasião mais “chick” ou para um passeio descontraído durante o dia ou fim-de-semana.”
Surgem novamente, enunciadas pelo seu caráter prático, mas principalmente pela sua variedade. Cores, tecidos e formas para todos os gostos e ocasiões, e como todas as tendências na moda actual, “as celebridades já as estão a usar”.
A moda é um bom exemplo da dinâmica de criação de uma sociedade, demonstra a tendência de igualização social e por sua vez também a necessidade da diversidade e individualidade entre grupos e classes.