domingo, 3 de janeiro de 2016

Seres Binários

Quando trazemos o tema “alienação” para discussão a primeira coisa que pensamos e criticamos é o consumismo desenfreado que praticamos e, apesar de fazer sentido, acho muito repetitivo. Tenho certeza de que todos sabem que a sociedade em que vivemos depende desse consumismo e do abuso da mídia, mas se esquecem de que somos nós que formamos a sociedade e que a mídia é apenas um conjunto de meios de comunicação e não um monstro com poderes especiais. A quantidade de pessoas que reclama “a mídia nos faz pensar isso e aquilo” é extraordinária, e nem sequer tentam mudar o pensamento, apenas reclamam. Nós utilizamos esses meios de comunicação como bem entendemos, e as grandes empresas também, o problema da maioria é não achar um equilíbrio, e quando não conseguem culpam um ser inexistente. Mas o consumismo não é a principal ideia de que quero discutir, e pessoalmente é um assunto muito mais importante. É engraçado como criticamos, primeiro, coisas maravilhosas como o celular e a internet(meios de comunicações) que quando utilizados corretamente são fantásticos, e não os ideais que somos praticamente obrigados a “engolir”, como por exemplo: a constante divisão entre os gêneros feminino e masculino.
Quando um casal descobre que estão esperando um bebê a principal duvida é de sexo será, e quando obtêm a resposta as listas de nomes e de presentes começam. Antes mesmo da criança nascer várias pessoas já estão criando um caminho para esse indivíduo, e ele tem apenas duas opções: se for menino, a maioria das coisas será azul, brinquedos de ação, carros, bonecos de luta etc, se for menina, todas as roupas serão cor de rosa, ou, se tiver sorte, roxas com várias bonecas e cozinhas de brinquedo.
Ensinamos desde cedo que esse é o “certo”, o “normal”, o que é esperado de cada um deles. A quantidade de crianças que são criticadas e repreendidas por gostarem de coisas que não são consideradas “aceitáveis” pelo seu determinado gênero é absurda e não faz sentido nenhum. Obviamente uma garota pode gostar de coisas de garoto e vice versa, e quem decide o que é aceitavel um garoto fazer ou não? Não somos tão binários a esse ponto, parece que criamos uma lista de atributos e tentamos colocar as pessoas nesses grupos de acordo com essas características. Não é porque um garoto não gosta de futebol que ele será menos masculino, e não é porque uma garota gosta que será mais “masculina”. 
Muitas crianças crescem achando que não deviam pertencer a determinado sexo pelo seus gostos, me lembro de muitas amigas que com 7 anos de idade afirmavam que preferiam ser garotos porque poderiam gostar das coisas que gostam sem julgamento. Meninas com essa idade se sentindo culpadas e desconfortaveis nos próprios corpos por quererem brincar de luta, não deixamos essas crianças explorarem caminhos diferentes. É assustador, porque estamos tão ocupados dizendo o que eles devem ser e acabamos não dizendo o que eles podem ser.