segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Objectos Ditadores

Quando o sujeito entra num corredor de uma loja ou supermercado, á procura de um produto que lhe faz falta, a preocupação inicial é a de escolher aquele produto que se enquadra na sua personalidade.
A minha irmã está a entrar na adolescência, e numa ida ao supermercado em que a acompanhei, notei em todo o cuidado a escolher os alimentos para pôr no carrinho das compras. Desde o iogurte com  a embalagem rosa e nele escrito um 0% (remete logo ás calorias - cuidado com o corpo); as bolachas-maria, por serem conhecidas como um tipo de bolacha com pouca gorduraa garrafa de água com curvas (forma do corpo da mulher em linha).
Há dois anos a lista de compras seria outra, completamente diferente, apesar dos alimentos serem quase o mesmo na sua essência. O iogurte estaria contido numa embalagem com um desenho animado e adicionalmente vinha um extra de pintarolas; as bolachas seriam na mesma bolacha-maria mas num pacote atraente para uma criança e contidas em saquetas para levar para a escola, a garrafa de água seria também teria no rótulo bonecos...
Os objectos ditam os comportamentos das pessoas.
Tenta-se encontrar a própria personalidade nos produtos que se adquire, ou corresponder á mesma. Num supermercado existe muita variedade, as categorias servem para cada tipo de pessoa/ personalidade.
Não é na sua essência, mas sim na comunicação do produto, que as pessoas procuram semelhanças ao estilo de vida que pretendem ter segundo a ideologia dominante. Essa ideologia não nasce do sujeito. É ditada pelo marketing, ou seja pelos próprios dominadores da produção e distribuição de "não só dos bens, mas também das ideias e significações".