Olho em volta, e numa fração de segundo, e sem realmente prestar muita atenção, tudo o que distingo são as provas da vida Humana percetíveis sobre tudo o resto. À exceção do azul, rodeado pelas construções que lhe conferem uma moldura rectangular perfeita. Naquele dia, o limite do céu e do mar era incerto, ténue talvez, pois o tom similar não permitia a distinção entre ambos. Imagino este lugar quando o conceito de arquitectura ainda não era algo consciente daqueles que a criavam apenas para se protegerem das condições adversas. Quão diferente seria o céu?
O modo como a evolução marcou a "incompatibilidade" do Homem (e tudo o que a palavra "Homem" engloba) com a Natureza, como que ignorando a necessidade que ambos têm um do outro, mas ao mesmo tempo, conscientes da mesma. Conscientes, através das extrações que fazem dela, as que permitem a criação para satisfazer as necessidades básicas, mas até mesmo as mais acessórias e as que sustêm o ser humano, que apesar da sua complexidade, o facto de não conhecermos a vida sem elas, torna-as simples como respirar.
“O trabalho é antes de tudo um processo entre o homem e a natureza, um processo no qual o homem por sua atividade realiza, regula e controla suas trocas com a natureza. Ele põe em movimento as forças naturais que pertencem à sua natureza corporal, braços e pernas, cabeças e mãos, para se apropriar das substanciais naturais sob uma forma utilizável para sua própria vida. Agindo assim, por seus movimentos sobre a natureza exterior e transformando-a, o homem transforma ao mesmo tempo a sua natureza”. MARX (2001, p. 211).
Ignorando na medida em que destrói. Destrói o que respira, destrói o que come, destrói o que vê e o que ouve.
Constrói novos edifícios, novas fábricas, novas estradas, novas guerras. Constrói uma economia. E esta simples palavra justifica qualquer acto que possa ser considerado imoral.