terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Fide



Ao olharmos ao nosso redor, num mundo deteriorado, sem valores éticos e morais, onde a ausência de igualdade social predomina, é difícil continuar a alimentar esperança num futuro e depositar fé no que realmente ansiamos.
Com efeito, muitos são os que banalizam a fé nos nossos dias, não lhe incutindo o devido valor, pois necessitam de uma prova real, ou uma evidência para crerem que algo possa acontecer, ou até mesmo mudar. Cada vez mais, na sociedade contemporânea, o ser humano inibe a fé, desviando “os holofotes” para prazeres momentâneos e um misto de emoções e sentimentos, crédulo que o que importa é viver o momento, desfrutá-lo, e isso é implícito aos nossos olhos. Porém a fé não é a credulidade, nem tão pouco um simples sentimento, mas surge cada vez mais estereotipada, que de uma forma tão subtil se desprende do seu verdadeiro significado, adquirindo um novo sentindo, como podemos comprovar no excerto de texto “ A Indústria Cultural” de Adorno e Horkheimer
  Segundo as sagradas escrituras, a fé, é baseada em dois factores: primeiro em, “ realidades não observadas”, e segundo, envolve “ coisas esperadas”, o que indica acontecimentos ainda por acontecer. De tal modo que a verdadeira fé, só pode ser possível através de confiança bem alicerçada, interligada a uma forte convicção.
Mas serão estes dois factores suficientes para mudar esta nova fé estereotipada?
 De forma alguma! A verdadeira fé exige mais que esses dois factores, necessita ser “alimentada”, expressa em acções, transcendendo o mundo espiritual. É portanto a base da esperança e da evidência mesmo que ela não seja fisicamente visível, de tal modo que podemos exercer uma posição convicta e preponderante perante realidades que não podem ser alcançadas, onde primeiro colocamos os pés, e só depois surge a base que nos sustenta.
Ao estarmos plenamente conscientes e convictos, a fé pode-nos levar a “mover montanhas”, isto é, não só nos serve como escudo protector, ajudando-nos a enfrentar qualquer desafio, bem como a suportar adversidades, como nos possibilita também, a alcançar objectivos mais elevados e uma vida gratificante.
 No entanto, através desta fé estereotipada, o homem procura sucumbir todas as necessidades de carácter espiritual e emocional, anteriormente referidas, optando antes pelo divertimento, pelos prazeres momentâneos, pondo de parte os valores e os bens superiores.

Cabe a cada um de nós, enquanto membros desta sociedade contemporânea, optar pela verdadeira fé, ou pela fé estereotipada.