Ao olharmos ao nosso redor, num mundo
deteriorado, sem valores éticos e morais, onde a ausência de igualdade social predomina,
é difícil continuar a alimentar esperança num futuro e depositar fé no que
realmente ansiamos.
Com efeito, muitos são os que banalizam a fé
nos nossos dias, não lhe incutindo o devido valor, pois necessitam de uma prova
real, ou uma evidência para crerem que algo possa acontecer, ou até mesmo
mudar. Cada vez mais, na sociedade contemporânea, o ser humano inibe a fé, desviando
“os holofotes” para prazeres momentâneos e um misto de emoções e sentimentos, crédulo
que o que importa é viver o momento, desfrutá-lo, e isso é implícito aos nossos
olhos. Porém a fé não é a credulidade, nem tão pouco um simples sentimento, mas
surge cada vez mais estereotipada, que de uma forma tão subtil se desprende do
seu verdadeiro significado, adquirindo um novo sentindo, como podemos comprovar
no excerto de texto “ A Indústria Cultural” de Adorno e Horkheimer
Segundo as sagradas escrituras, a fé, é
baseada em dois factores: primeiro em, “ realidades não observadas”, e segundo,
envolve “ coisas esperadas”, o que indica acontecimentos ainda por acontecer. De
tal modo que a verdadeira fé, só pode ser possível através de confiança bem
alicerçada, interligada a uma forte convicção.
Mas serão estes dois factores suficientes para mudar
esta nova fé estereotipada?
De forma
alguma! A verdadeira fé exige mais que esses dois factores, necessita ser
“alimentada”, expressa em acções, transcendendo o mundo espiritual. É portanto a
base da esperança e da evidência mesmo que ela não seja fisicamente visível, de
tal modo que podemos exercer uma posição convicta e preponderante perante realidades
que não podem ser alcançadas, onde primeiro colocamos os pés, e só depois surge
a base que nos sustenta.
Ao estarmos plenamente conscientes e convictos, a
fé pode-nos levar a “mover montanhas”, isto é, não só nos serve como escudo
protector, ajudando-nos a enfrentar qualquer desafio, bem como a suportar
adversidades, como nos possibilita também, a alcançar objectivos mais elevados e
uma vida gratificante.
No entanto,
através desta fé estereotipada, o homem procura sucumbir todas as necessidades
de carácter espiritual e emocional, anteriormente referidas, optando antes pelo
divertimento, pelos prazeres momentâneos, pondo de parte os valores e os bens
superiores.
Cabe a cada um de nós, enquanto membros desta
sociedade contemporânea, optar pela verdadeira fé, ou pela fé estereotipada.