Dei uma volta ao
meu guarda roupa. Quis lavar umas quantas peças. Umas novas acabadas de comprar
outras velhíssimas, algumas do tempo da minha mãe. Ao olhar para as etiquetas
para ter cuidado de não as estragar na máquina de lavar reparo que praticamente
metade da minha roupa (principalmente a nova) com uma etiqueta “Made in china”,
“made in Vietnam”, “made in Bangladesh”, entre outros.
Faz-me pensar imenso sobre a proveniência da nossa roupa, onde é realmente feita, como é feita.
Faz-me pensar imenso sobre a proveniência da nossa roupa, onde é realmente feita, como é feita.
No entanto o
assunto que irei debater incide sobretudo sobre os “made in china”. Na minha
opinião, desde que me lembro, os artigos “made in china” sempre nos provocaram
uma associação a um artigo de baixa qualidade, bugigangas, e algo duvidosos.
Feito em mão de obra barata, de produtos baratos e com um fácil rendimento numa
produção em serie. Estes são artigos aos
quais geralmente associam ter uma vida curta. E suponho que foi mesmo essa a
intenção. Uma vida curta para num espaço de 1 a 3 anos voltar a haver a
necessidade de se comprar um novo artigo semelhante ao anterior ou simplesmente
deitar fora e adquirir algo novo, da moda nova.
A Carga tributária
menor, o câmbio desvalorizado, mão de obra abundante e a política agressiva de
comércio exterior são justificações para este fenómeno. É à conta disto que muitos sectores
fecharam em inúmeros países. Portugal e Brasil são os exemplos mais próximos
Mas ao que parece,
as coisas mudaram e agora ver uma etiqueta “ made in china” nem sempre é um mau
presságio. Existem hoje em dia grandes marcas de luxo e sofisticadas,
produzidas na china. Computadores e laptops da
HP/Compaq, semicondutores e chips da Intel, ipods da Apple, telefones da
Motorola, roupas da Lacoste, Ralph Lauren, carros Audi, etc.
De
acordo com o artigo na BBC.com, “http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150608_vert_cap_luxo_china_ml,”
O
titulo é “ A etiqueta “made in china” vai
virar sinonimo de luxo?” dá-nos logo um pico de curiosidade, fortalecendo-o
com apenas os primeiros parágrafos:
“Para
satisfazer o apetite de uma nova classe alta no país, marcas "made in
China" que já apostavam em produtos de qualidade e conhecem o gosto desses
consumidores começam a despontar como autênticos competidores no mercado de
luxo.”.
Estará afinal a
mudar toda esta nossa ideia de ver “made in china” como um produto de fraca
qualidade, com uma vida efémera e a um custo baixo?
O meu olhar sobre
estas etiquetas está certamente a mudar, tal como a minha forma de ver o
produto e as relações económicas no mercado no que toca a qualidade/preço. Ao
que parece ter um etiqueta “made in china” nem sempre irá significar que o
produto seja barato e de fraca qualidade.