terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Made in China



Dei uma volta ao meu guarda roupa. Quis lavar umas quantas peças. Umas novas acabadas de comprar outras velhíssimas, algumas do tempo da minha mãe. Ao olhar para as etiquetas para ter cuidado de não as estragar na máquina de lavar reparo que praticamente metade da minha roupa (principalmente a nova) com uma etiqueta “Made in china”, “made in Vietnam”, “made in Bangladesh”, entre outros.
Faz-me pensar imenso sobre a proveniência da nossa roupa, onde é realmente feita, como é feita.
No entanto o assunto que irei debater incide sobretudo sobre os “made in china”. Na minha opinião, desde que me lembro, os artigos “made in china” sempre nos provocaram uma associação a um artigo de baixa qualidade, bugigangas, e algo duvidosos. Feito em mão de obra barata, de produtos baratos e com um fácil rendimento numa produção em serie.  Estes são artigos aos quais geralmente associam ter uma vida curta. E suponho que foi mesmo essa a intenção. Uma vida curta para num espaço de 1 a 3 anos voltar a haver a necessidade de se comprar um novo artigo semelhante ao anterior ou simplesmente deitar fora e adquirir algo novo, da moda nova.
 A Carga tributária menor, o câmbio desvalorizado, mão de obra abundante e a política agressiva de comércio exterior são justificações para este fenómeno. É à conta disto que  muitos  sectores fecharam em inúmeros países. Portugal e Brasil são os exemplos mais próximos
Mas ao que parece, as coisas mudaram e agora ver uma etiqueta “ made in china” nem sempre é um mau presságio. Existem hoje em dia grandes marcas de luxo e sofisticadas, produzidas na china. Computadores e laptops da HP/Compaq, semicondutores e chips da Intel, ipods da Apple, telefones da Motorola, roupas da Lacoste, Ralph Lauren, carros Audi, etc.
O titulo é “ A etiqueta “made in china” vai virar sinonimo de luxo?” dá-nos logo um pico de curiosidade, fortalecendo-o com apenas os primeiros parágrafos:
Para satisfazer o apetite de uma nova classe alta no país, marcas "made in China" que já apostavam em produtos de qualidade e conhecem o gosto desses consumidores começam a despontar como autênticos competidores no mercado de luxo.”.
Estará afinal a mudar toda esta nossa ideia de ver “made in china” como um produto de fraca qualidade, com uma vida efémera e a um custo baixo?
O meu olhar sobre estas etiquetas está certamente a mudar, tal como a minha forma de ver o produto e as relações económicas no mercado no que toca a qualidade/preço. Ao que parece ter um etiqueta “made in china” nem sempre irá significar que o produto seja barato e de fraca qualidade.