“Sou um bocado
diferente, ou até mesmo estranha por pensar assim. Não me enquadro no padrão,
nem adiro ás modas, que a maioria das
raparigas com “sucesso” da minha idade, aderem.”
O tempo vai passando,
ganham-se novas experiências de vida. Agora reflicto melhor acerca do tema e
tiro as minhas conclusões.
Quando atingi os 14
anos, por volta dessa altura, senti uma necessidade de adesão a uma moda e
padrão de vida juvenil. Deixar de ser uma criança inocente e despreocupada com
o que os outros pensavam, para passar a ser uma jovem preocupada com a sua imagem
e se me aprovavam como jovem “fixe” e crescida. Nunca aderi por completo, mas
não fiquei de fora em relação aos ideais. A sociedade e o sistema ideológico
em que vivemos, especialmente nesta altura em que é mais fechado, parece não
ter escapatória e, parece ser a única opção de vida que temos como escolha para
sermos aceites. Levou-me por vezes a pensar eventualmente era eu que estava
errada.
Hoje, olho para grupos
de jovens, nomeadamente os das minhas escolas antigas, e noto que todos são iguais. Digo
iguais na aparência. As personalidades diferem, mas todas estão inseridas
naquele padrão da classe dominante. Facilmente vemos a construção do futuro
deste grupo de pessoas (as experiências de vida, o modo de vida, família, amizades,
hábitos que irão ter...). Falo deste grupo de pessoas, dirigindo-me mais
propriamente á classe burguesa de Lisboa, os “tios”.
Todos ele seguem a
ideologia, que nela tem presente valores católicos. Por exemplo, todos os jovens usam um terço de
prata ao pescoço, e a maioria deles não reza ou vai à missa frequentemente.
Apenas têm para parecer. Ser para parecer. Tal como no texto de Fiske ele
afirma:
“(...) o trabalho
ideológico do “senso comum”, um trabalho efectuado pela própria expressão, pois
o seu sentido não é certamente “comum” mas sim baseado numa classe, por mais
disfarçada que esteja a sua origem de classe, nas ideias da classe dominante.”