terça-feira, 1 de dezembro de 2015

"Tios"

“Sou um bocado diferente, ou até mesmo estranha por pensar assim. Não me enquadro no padrão, nem adiro ás modas, que a maioria das  raparigas com “sucesso” da minha idade, aderem.”
O tempo vai passando, ganham-se novas experiências de vida. Agora reflicto melhor acerca do tema e tiro as minhas conclusões.
Quando atingi os 14 anos, por volta dessa altura, senti uma necessidade de adesão a uma moda e padrão de vida juvenil. Deixar de ser uma criança inocente e despreocupada com o que os outros pensavam, para passar a ser uma jovem preocupada com a sua imagem e se me aprovavam como jovem “fixe” e crescida. Nunca aderi por completo, mas não fiquei de fora em relação aos ideais. A sociedade e o sistema ideológico em que vivemos, especialmente nesta altura em que é mais fechado, parece não ter escapatória e, parece ser a única opção de vida que temos como escolha para sermos aceites. Levou-me por vezes a pensar eventualmente era eu que estava errada.
Hoje, olho para grupos de jovens, nomeadamente os das minhas escolas antigas, e noto que todos são iguais. Digo iguais na aparência. As personalidades diferem, mas todas estão inseridas naquele padrão da classe dominante. Facilmente vemos a construção do futuro deste grupo de pessoas (as experiências de vida, o modo de vida, família, amizades, hábitos que irão ter...). Falo deste grupo de pessoas, dirigindo-me mais propriamente á classe burguesa de Lisboa, os “tios”.
Todos ele seguem a ideologia, que nela tem presente valores católicos.  Por exemplo, todos os jovens usam um terço de prata ao pescoço, e a maioria deles não reza ou vai à missa frequentemente. Apenas têm para parecer. Ser para parecer. Tal como no texto de Fiske ele afirma:

“(...) o trabalho ideológico do “senso comum”, um trabalho efectuado pela própria expressão, pois o seu sentido não é certamente “comum” mas sim baseado numa classe, por mais disfarçada que esteja a sua origem de classe, nas ideias da classe dominante.”