quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Matéria


Estamos tão embebidos no nosso próprio “eu”, que desfocamos os problemas existentes, visíveis na sociedade actual. Pensamos tanto na nossa própria condição, que nos esquecemos que existe inúmera gente ao redor do mundo, numa condição menos favorável que a nossa.
Deste modo, apesar de a igualdade ser um dado adquirido a nascença, lamentavelmente, vimos a diferenciação que existe no seio comunitário onde estamos envolvidos, bem como nas diferentes classes sociais. Esta certeza indubitável coloca-nos num ponto interessante, isto porque apesar de haver sempre alguém que se encontra melhor que nós, por outro lado, também existe sempre alguém, que se encontra numa situação pior que a nossa.
Somos constantemente “bombardeados” com informação através dos “Média”, onde é evidente a condição actual do mundo em que vivemos, e que mundo é esse? “Os ricos cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres”. A desigualdade na distribuição da riqueza e no nível da qualidade de vida, atingiu actualmente proporções irreversíveis, pela qual o ser humano não pode ignorar, nem tão pouco negar isso.
Recentemente, houve uma notícia divulgada num canal televisivo português, que revela os extremos em que se encontra a sociedade, bem como a ausência de elementos, que para muitos podem ser motivo de felicidade, e para outros apenas vulgares e banais. Resumidamente, foi mobilizada uma iniciativa da parte de uma grande massa associativa do desporto em Portugal, visando a entrega de chuteiras a crianças africanas, que jogavam descalços, ou apenas com uma sapatilha, em terra batida numa pequena povoação. Após a entrega ao grupo que ali se encontrava, aconteceu algo curioso, chegaram mais crianças, e aqueles que já tinham recebido as chuteiras, decidiram partilhar uma das chuteiras com os seus amigos.
Por mais simples que seja este relato acontecido recentemente, faz-me pensar, que tanto as diferenças sociais e em casos mais extremos, a miséria, fazem parte do nosso quotidiano por culpa do ser humano. Porquê? Por não se seguir o exemplo destas crianças que mesmo tendo pouco, ou quase nada, passando por inúmeras dificuldades na vida, dão esse pouco que têm, partilhando com aqueles que mais precisam, ou até de igual forma. Apesar de o mundo dar bastantes voltas, gira apenas num sentido, e hoje podemos ter, mas amanhã podemos ser nós a necessitar, por isso, não devemos “virar costas” a um assunto que toca a todos enquanto portadores de igualdade, que no fundo é inexistente, perante a luxúria e exibição dos bens associados, em oposição para com a miséria existente.

Quanto melhor seria o mundo se houvesse mais igualdade social, e não existisse este desnivelamento de cidadão para cidadão. Na verdade somos todos feitos da mesma matéria, mas não somos todos a mesma matéria.