Estamos tão embebidos no
nosso próprio “eu”, que desfocamos os problemas existentes, visíveis na
sociedade actual. Pensamos tanto na nossa própria condição, que nos esquecemos
que existe inúmera gente ao redor do mundo, numa condição menos favorável que a
nossa.
Deste modo, apesar de a
igualdade ser um dado adquirido a nascença, lamentavelmente, vimos a
diferenciação que existe no seio comunitário onde estamos envolvidos, bem como
nas diferentes classes sociais. Esta certeza indubitável coloca-nos num ponto
interessante, isto porque apesar de haver sempre alguém que se encontra melhor
que nós, por outro lado, também existe sempre alguém, que se encontra numa
situação pior que a nossa.
Somos constantemente
“bombardeados” com informação através dos “Média”, onde é evidente a condição actual do mundo em que vivemos, e que mundo é esse? “Os ricos cada vez mais
ricos, e os pobres cada vez mais pobres”. A desigualdade na distribuição da
riqueza e no nível da qualidade de vida, atingiu actualmente proporções
irreversíveis, pela qual o ser humano não pode ignorar, nem tão pouco negar isso.
Recentemente, houve uma
notícia divulgada num canal televisivo português, que revela os extremos em que
se encontra a sociedade, bem como a ausência de elementos, que para muitos
podem ser motivo de felicidade, e para outros apenas vulgares e banais.
Resumidamente, foi mobilizada uma iniciativa da parte de uma grande massa associativa
do desporto em Portugal, visando a entrega de chuteiras a crianças africanas,
que jogavam descalços, ou apenas com uma sapatilha, em terra batida numa
pequena povoação. Após a entrega ao grupo que ali se encontrava, aconteceu algo
curioso, chegaram mais crianças, e aqueles que já tinham recebido as chuteiras,
decidiram partilhar uma das chuteiras com os seus amigos.
Por mais simples que seja
este relato acontecido recentemente, faz-me pensar, que tanto as diferenças sociais e em casos mais extremos, a miséria, fazem parte do nosso quotidiano por culpa do ser humano. Porquê? Por não se seguir o exemplo destas
crianças que mesmo tendo pouco, ou quase nada, passando por inúmeras
dificuldades na vida, dão esse pouco que têm, partilhando com aqueles que mais
precisam, ou até de igual forma. Apesar de o mundo dar bastantes voltas, gira
apenas num sentido, e hoje podemos ter, mas amanhã podemos ser nós a necessitar,
por isso, não devemos “virar costas” a um assunto que toca a todos enquanto
portadores de igualdade, que no fundo é inexistente, perante a luxúria e
exibição dos bens associados, em oposição para com a miséria existente.
Quanto melhor seria o mundo
se houvesse mais igualdade social, e não existisse este desnivelamento de
cidadão para cidadão. Na verdade somos todos feitos da mesma matéria, mas não
somos todos a mesma matéria.