terça-feira, 1 de dezembro de 2015

o desejo ultrapassa a necessidade

Com o Natal à porta, chegou o tempo em que as crianças escrevem a carta ao Pai Natal, onde pedem tudo e mais alguma coisa, e esperam ansiosamente pela chegada desta figura mítica, para que possam abrir as prendas.

Cada vez mais a época natalícia é vista como uma época de consumismo exorbitante. O dia de Natal recheado de simbolismo e tradição vai-se perdendo e dá-se lugar ao chamado 'dia das prendas'. É tempo de comprar e de consumir. A publicidade é talvez a melhor arma deste tempo. Acabamos por mergulhar nela e de forma inconsciente somos levados a adquirir determinados produtos, mesmo que estes possam ser considerados coisas supérfluas.

Este consumo existe atualmente mesmo sem termos consciência dele. Acabamos por ser seres inconscientes do mundo que nos rodeia. Vivemos numa incessante insatisfação e busca pelo ideal. E esta é talvez a altura ideal para seguir tendências que nos são diariamente implementadas e que nós acabamos por interpretar como perfeitas.

O desejo de ter um determinado produto pode confundir-se desta forma com o desejo de alcançar uma determinada ideologia que nos é imposta, mesmo que inconscientemente.
Estamos perante uma sociedade que dá cada vez mais valor aos objetos. Acabamos por depositar significados irreais a objetos que não merecem nem metade do valor que nós lhes impomos. Já ninguém quer ter uns sapatos, um telemóvel, um computador ou uma simples blusa que estão historicamente ultrapassados. Tudo quer seguir novas tendências.

Isto porque ao seguirem estas tendências, acabam por se sentir mais integrados e consequentemente aumentam a sua auto-estima. No fundo estas publicidades levam-nos a pensar, mesmo que inconscientemente, que ao possuirmos aquele produto teremos uma vida melhor e seremos também pessoas melhores e mais felizes.

Estamos perante esta realidade. Onde somos manipulados pela publicidade, pelos media e por um marketing de consumismo que nos leva a uma materialização gigante. Onde tudo o que queremos é ser perfeitos e ideais e onde temos de ter tudo o que acabou de sair e o que é de última geração, porque só assim conseguimos ser realmente felizes. Somos seres ideológicos que pretendem seguir tendências e acabam condicionados pela sociedade que nos rodeia.

Acabamos por ser o que consumimos, acabamos por nos transformar numa coisa que não somos. Seguimos tendências. Acabamos por compor uma personalidade que não é a nossa, que não pertence a ninguém, pertence a um mundo que é inexistente.

Vive-se uma época em que o desejo ultrapassa a necessidade.