Le anime hanno un loro particolar modo d'intendersi, d'entrare in intimità, fino a darsi del tu, mentre le nostre persone sono tuttavia impacciate nel commercio delle parole comuni, nella schiavitù delle esigenze sociali.
As almas têm uma maneira específica de se entender, de entrar em intimidade; até ao tratar-se por “tu”. Simultaneamente, as nossas “personas” vivem atropeladas pelo comércio das palavras comuns, na escravidão das exigências sociais.
(Luigi Pirandello, Il fu Mattia Pascal)
A língua é um instrumento necessário para a comunicação. A língua é criada por ideias, mas, ao invés, acaba ela própria por criar ideias, ou seja, depois de uma certa altura, construimos pensamentos usando palavras, identificando conceitos com palavras e, com isso, cria-se uma rigidez que orienta os pensamentos. Tomemos como exemplo: a sociedade ocidental baseia-se numa divisão entre os sentimentos e a razão, entre “coração” e “cérebro”. Contudo, na sociedade japonesa, a palavra mais usada para identificar os dois é 心(“kokoro”), normalmente traduzida por “coração”. Na verdade, a palavra significa também “mente”; portanto, para os japoneses trata-se mais da “interioridade” do indivíduo; tanto a razão como os sentimentos pretencem ao心 (“kokoro”). Penso que, com a possibilidade da existência desta palavra, podiamos desenvolver uma maneira de pensar completamente diferente.
Claro que a comunicação não pode prescindir, para ser eficaz, de palavras esquematizadas, claras, específicas. Contudo, como na comunicação e nos pensamentos, construimos os conceitos também por palavras, e os vamos desenvolvendo camada sobre camada, adicionando outros conceitos constituídos sempre também por palavras. Tal significa que as palavras influenciam os pensamentos e que acabamos por construir realidades parcialmente cegas, que não conseguem chegar completamente ao ponto mais verdadeiro da realidade.
Se estivéssemos, de repente, a falar uma língua que nos fosse desconhecida, que não é a nossa língua materna, talvez pudéssemos sair parcialmente deste universo. Os nossos pensamentos tornar-se-iam mais indefinidos, e a expressão deles menos eficaz. Mas, pelo contrário, seria mais consciente, mesmo que essa consciência não pudesse ser transmitida e mesmo que no tentar definir essa consciência, pela palavra, parecesse que os nossos pensamentos, de repente, se esvaziavam.